A polêmica do alongamento. Polêmica ou falta de conhecimento?

 

Profa. Ms. Gizele de Assis Monteiro

 

Não são poucas as polêmicas, ou melhor, as teorias que cercam o alongamento. A última é que os alongamentos aplicados como parte de um aquecimento fazem com que a performance das manifestações de força e velocidade sejam diminuídas. Acho que é bom avisar o Michael Phelps, quem sabe ele bate mais um recorde. Para um ginasta então, já pensou saltar mais alto e potente. Quem já não viu esses atletas fazerem uso dos famosos alongamentos?

 

Infelizmente a grande polêmica está nos próprios autores das pesquisas e nos professores que propagam essa informação sem analisar a quantidade de estímulos aplicados. Talvez seja pela falta de experiência prática com o estímulo. O que normalmente não é citado é que temos dois tipos de respostas nos estudos, os que encontram os efeitos negativos na força e os que não encontram efeitos negativos na força e infelizmente são divulgadas apenas as informações de que o alongamento tem influência negativa. Exemplificarei com os próprios estudos.

Cramer e seus colaboradores em 2004 analisaram o efeito agudo do alongamento estático sobre a força do quadríceps e realmente encontraram um efeito negativo do uso do alongamento. No entanto temos que nos atentar para a carga desse estímulo aplicada: foram 4 exercícios para o músculo quadríceps dividido em  4 séries de 30 segundos em cada exercício. Somando o total do tempo, temos 8 minutos de alongamento no mesmo músculo. Se o profissional conhece um pouco de alongamento verá que essa carga é o bastante para treinar e não para ser utilizado como parte de um aquecimento. Portanto ao invés de afirmar que o alongamento como parte de um aquecimento diminui a força, deveria ser concluído que o treino da flexibilidade antes do treino de força irá influenciar diminuindo a força.

Um resultado bem interessante, agora sem a interferência na força, foi realizado por Egan e seus colaboradores em 2006. Um detalhe a parte, esse grupo de pesquisadores são do mesmo laboratório do estudo anterior citado.  Nesse estudo analisaram o efeito agudo do alongamento estático sobre a força do quadríceps com carga também semelhante ao estudo anterior e acompanharam o seu efeito até 45 minutos após a aplicação do alongamento. Como resultado o alongamento “não” produziu mudanças na força em nenhum tempo analisado. Os autores atribuíram esse resultado como efeito de um treinamento anterior a esse estímulo.

Talvez isso explique o porquê o ginasta faz isso o tempo todo e não tem interferência em sua performance, e também o porque o Michael Phelps continua se alongando no aquecimento.

Mas vamos apimentar mais, um estudo organizado por Little e Williams em 2006 utilizaram o alongamento estático e o dinâmico, mas agora com uma carga e tempo compatíveis com o tal aquecimento, somou-se o total de 6 minutos de alongamento em vários grupamentos musculares em ambos os lados. Realizando testes de sprint (10 e 20 metros e teste de zigue-zague) os autores encontraram a redução nesses tempos, principalmente com o alongamento dinâmico, portanto a aplicação do alongamento teve um efeito positivo sobre a velocidade.

O alongamento dinâmico até pouco tempo condenado a ser um estímulo lesivo hoje observa-se que mesmo utilizado em carga semelhante ao alongamento estático não interfere na força, como o estudo realizado por Bacurau e colaboradores em 2009. Mesmo com uma elevada carga utilizado nos músculos isquiotibiais os estímulos não tiveram efeito negativo sobre a força máxima e força de resistência.

Será que realmente existe polêmica no uso do alongamento, ou será que estamos criando teorias por desconhecer esse estímulo e não saber como e quando aplicá-lo?

 

Referências:

Cramer et al (2004). Acute effects of static stretching on peak torque in women. J. of Strength and Conditioning Research, 18(2), 236-241.

Egan et al (2006). Acute effects of static stretching on peak torque and mean power output in national collegiate athletic association division I women’s basketball players. J. of Strength and Conditioning Research, 20(4), 778-782.

Little & Williams (2006). Effects of differential stretching protocols during warm-ups on high-speed motor capacities in professional soccer. J. of Strength and Conditioning Research 20(1), 203-207.

Bacurau et al (2009). Acute effect of a dynamic and a static flexibility exercise bout on flexibility and maximum strength. J. of Strength and Conditioning Research, v23, 304-308.

 

 

 

24 Comentário(s)! Comente mais!

  1. wagner A.B. da Silva

    Olá, sou professor de Educação física especialista em fisiologia do exercicio e membro do laboratório crossbridges que estuda força e flexibilidade. (www.crossbridges.com.br). Tenho inestigado os efeitos do alongamento estático sobre o sprint e apesar de pouca referência, a maioria aponta para um significativo efeito deletério sobre o sprint que é uma das formas de manifestação da potência.
    Existem 12 estudos relacionados a este tema específico, com 8 indicando piora no rendimento, 3 indicando não haver diferênça significativa e 1 indicando melhora no tempo do sprint quando comparado ao grupo controle. justamente este estudo que é citado por você.
    Porém, destes 4 estudos, 3 apresentam grandes problemas estruturais, o estudo do Little e Williams no seu protocolo, utiliza uma sequência de exercícios de aquecimento depois faz o alongamento e mais uma rotina de aquecimento. Segundo Taylor et al 2008, uma rotina de aquecimento pós alongamento, pode minimizar os efeitos do alongamento. Por este motivo, os efeitos do alongamento no estudo do Little e Williams, podem ter sido mascarados devido a rotina de aquecimento pós alongamento.

    Postado em 01/05/2009
  2. Olá Wagner, estou solicitando a Prof. Gizele que responda seu comentário, que é a autora deste texto. Obrigado pelo contato.

    Postado em 02/05/2009
  3. Gizele Monteiro

    Prezado professor Wagner, primeiramente obrigada pelo comentário.
    Conheço o laboratório do qual você participa. Tenho acompanhado algumas das publicações. Uma delas (RUBINI, E.C. ; COSTA, A.L.L. ; GOMES, P. S. C. . Effects of stretching on strength performance. Sports Medicine, v. 37, p. 213-224, 2007) achei excelente e tem sido umas das referências de base para um livro que estou publicando somente sobre esse tema, justamente desmistificando alguns pontos que tem gerado tanta confusão.
    Como atuo na área acadêmica dando aulas em todo o Brasil (pela própria UGF) vejo na prática como os alunos têm interpretado mal o que os professores tem falado e algumas vezes também os mesmos tem sido tendenciosos nos comentários. Trabalho especificamente com a disciplina “Treinamento da Flexibilidade” em vários cursos e temos alguns problemas sérios: os alunos não conseguem distinguir o que é uma carga com o estímulo de alongamento para treinar a flexibilidade e o que é uma carga de alongamento que será usada no aquecimento (como parte do aquecimento).
    Caro professor, se o senhor analisar a CARGA dos artigos que buscou, vai perceber (se conhecer o treinamento da flexibilidade) que a maior parte delas é elevada para o objetivo proposto pelos autores (que seria estudar o efeito do alongamento no aquecimento), mudando desta forma a conclusão a que chegam nos estudos. Eles teriam que falar, segundo a carga aplicada, do treinamento da flexibilidade antes da força (ou qualquer outra manifestação como sprints, potência, como o colega colocou).
    Como falei no artigo do blog do professor Artur Monteiro, eles são aplicados num volume para treinar a flexibilidade, cabendo então o entendimento que se for necessário “treinar” a flexibilidade na mesma sessão elas podem concorrer. MAS temos observado que em algumas situações tal resultado de concorrência não ocorre … se o alongamento for dinâmico por exemplo pode não interferir – estou falando aqui do treinar segundo as cargas colocadas na maioria dos artigos e não mais do aquecimento (pode consultar o artigo de Bacurau et al, 2009. Acute effect of a dynamic and a static flexibility exercise bout on flexibility and maximum strength. J. of Strength and Conditioning Research, v23, 304-308 – do qual fiz parte do grupo e a metodologia foi baseada no estudo do Prof Dr. Valmor Tricolli, mas com experiências do que vivi na prática e do que tenho estudado ao longo desses anos).
    Caso o senhor queira discutir cada artigo será um prazer, mas segue novamente um exemplo dentro da linha do sprint …
    Nelson e col em 2005 aplicaram 4 séries de 30 segundos para verificar o efeito sobre o sprint de 20m. Os resultados mostraram aumento no tempo de sprint afetando negativamente os exercícios de alta intensidade. É claro que ele iria encontrar tal efeito:
    1. Volume elevado produzindo mudanças viscoelásticas do tecido,
    2. Ação neural contrária a que seria utilizado no sprint. Ele está usando uma carga elevada de alongamento estático.
    Novamente … essa carga condiz com um treino da flexibilidade … não se vê aplicação assim em aquecimentos da maioria das modalidades, excetos as ginásticas, lutas. Na ginástica várias vezes acompanhei sessões que os técnicos cruzavam o treinamento das duas capacidades e as ginastas continuavam saltando dentro da técnica e altura esperada, provavelmente por seu sistema neuromuscular reconhecer muito bem ambos os estímulos.
    É lógico que é importante saber que existem 12 estudos relacionados a este tema específico, com 8 indicando piora no rendimento, MAS porque ocorreu essa piora no rendimento? O que fazer para que ela não ocorra?
    Em termos práticos é esse o questionamento que estou levantando. O único artigo por mim indicado, ao qual o senhor se referiu, mostra uma realidade prática do que técnicos, preparadores e atletas fazem em campo, quadra, piscina, tatame e seja lá qual área de competição for.
    Conforme colocado pelo colega … segundo Taylor et al 2008, uma rotina de aquecimento pós alongamento, pode minimizar os efeitos do alongamento … essa é exatamente a realidade prática do que é realizado no ambiente desportivo. Que bom que você entendeu que exatamente por esse motivo os efeitos do alongamento no estudo do Little e Williams não foram negativos. Os autores fazem exatamente o que fazemos na prática.
    Convido o caro professor a pegar cada artigo e analisar a CARGA e o grupo experimental em que foi aplicado o estudo para entender os respectivos efeitos e respostas dos mesmos.
    Grata pela participação,

    Profa. Ms Gizele de Assis Monteiro
    Especialista em Ciências do Esporte pela UNICAMP
    Mestrado em Fisiofarmacologia pela UNIFESP
    Autora do livro Treinamento da Flexibilidade: sua aplicabilidade para a saúde

    Postado em 03/05/2009
  4. Fábio Bergamo

    Prezada profa. Gizele.
    Parabéns pelo artigo e pela clara explicação.
    Acho muito interessante trazer à tona esse quetionamento feito no título do artigo.
    Percebo que muitos colegas gabaritados estão tornando a utilização do alongamento como forma de aquecimento uma prática “criminalizada”. Para isso citam artigos publicados em revistas conceituadas. Entretanto, “esquecem” de analisar e explicar o que faz toda a diferença numa pesquisa científica, a metodologia utilizada.
    Deixo claro que estou absolutamente de acordo com sua opinião em todos apontamentos feitos e acredito ser de suma importância informar, principalmente os profissionais do exercício físico, que o exercício de alongamento possui diferentes intensidades de trabalho.
    A intensidade do alongamento com objetivo de aquecimento deve ser leve com pouca duração, acompanhado de movimentação articular, o que não compromete o desempenho (Little e Williams, 2006). Diferentemente da intensidade utilizada quando o objetivo é melhorar a flexibilidade, que deve ser maior e com tempo superior ao utilizado no aquecimento.
    Acredito que quem conhece a prática sabe muito bem a diferença de trabalhar nessas duas intensidades e a influência que cada uma tem na sessão de exercícios.
    Parabéns mais uma vez pelo posicionamento, estava procurando alguém que compartilhava com meu ponto de vista nessa questão.

    Fábio Bergamo
    Mestrando em Biodinâmica do Movimento Humano
    Escola de Educação Física e Esporte - USP

    Postado em 11/05/2009
  5. Gizele Monteiro

    Prezado Prof. Fabio.

    Muitíssimo obrigado pela sua participacão. Apesar de não nos conhecermos vejo que compartihamos de visão semelhante mesmo.

    Realmente o senhor tem toda a razão. Percebo também algo muito sério, além de alguns colegas “esquecerem” de analisar e explicar a metodologia utilizada, alguns não sabem diferencia-las, não entendem as diferencas metodológicas do treinamento da flexibilidade e nem suas respostas mecânicas e neurais. Da mesma forma os autores de alguns estudos também não conhecem a aplicacão prática, gerando mais confusão ainda, chamando de aquecimento o que é treinamento.

    Como o senhor colocou muito bem, também acredito que quem conhece a prática sabe a diferença de trabalhar nessas duas intensidades e a influência que cada uma tem na sessão de exercícios.

    Ainda hoje finalizando uma aula na turma de pós-graduacão em Treinamento Desportivo da UGF-SP percebi a grande mudanca na visão dos alunos que apresentaram trabalhos com cargas corretas e coerentes com as modalidades que escolheram.

    É muito bom saber que outras pessoas tem a clareza do que é a flexibilidade. Podemos realmente trocar informacões com qualidade técnico-científica. Espero que esse espaco e tb no meu blog que logo mais estará no ar seja um espaco aberto para essas discussões.

    Atenciosamente,

    Profa. Gizele Monteiro

    Postado em 11/05/2009
  6. Maria Auxiliadora

    Compartilho com esta opinião senhores, vejo que a diferença está na intensidade do alongamento, podendo este ter vários esfeitos. Como a prof.a Gisele colocou muito bem, também acredito que quem conhece a prática sabe a diferença de trabalhar nas diferentes intensidades e a influência que cada uma tem na sessão de exercícios.
    Atenciosamente
    Prof. Maria Auxiliadora V.P. LIma
    prof. Educação Fisica - USP
    especialista em atividades fisicas desportivas biomecanica - USP
    mestre em educação - UFMT
    Prof. na Escola de educação Fisica - UNIVAG

    Postado em 14/05/2009
  7. Fábio Bergamo

    Prezada Prof. Gisele

    Realmente ainda não nos conhecemos pessoalmente, porém me coloca à disposição para marcarmos um horário e trocarmos alguma experiência quando a Sra estiver em São Paulo.

    Farei o possível para ser um participante ativo aqui no blog do Prof. Artur e no da Sra, quando estiver no ar.
    Atenciosamente

    Fábio Bergamo

    Postado em 14/05/2009
  8. Gizele Monteiro

    Olá Maria Auxiliadora.
    É muito bom saber que mais profissionais conseguem entender o treinamento da flexibilidade, pois vejo ela sendo deixada de lado pela maioria dos profissionais. As aulas que elaborei para os cursos de pós-graduação em diferentes temas (treinamento desportivo, reabilitação cardíaca e grupos especiais, personal training, reestruturação postural, dança, etc) me fizerem ver as diferentes diretrizes do treinamento dessa capacidade e sua importância em cada área.
    Obrigada pela participação.
    Profa. Gizele Monteiro

    Postado em 18/05/2009
  9. Gizele Monteiro

    Olá Prof. Fabio.

    Será uma satisfação poder compartilhar nossas idéias num café. Disponibilizo meu contato para que possamos agendar para nossa conversa (gizele.monteiro@bol.com.br).

    Estou finalizando o site http://www.metodogerar.com.br e assim que estiver tudo acabado irei para o blog. O site já está no ar e apesar do assunto ser gravidez será um prazer ter tb sua visita.

    Tenho certeza que poderemos compartilhar nossos conhecimentos tanto práticos quanto teóricos.

    Atenciosamente, Gizele Monteiro.

    Postado em 18/05/2009
  10. Gabriela

    Olá Profª Gizele,

    Achei muito interessante suas colocações, e concordo ainda há muita polêmica. Porém fiquei com algumas dúvidas. Você poderia esclarecê-las pra mim?

    Bom, vc afirmou que alongamento quando não realizado em intensidade considerada para treinamento de flexibilidade, não teria interferencia no resultado esperado da sessão do treinamento. Ou seja, o ruim nessa história toda seria o treinamento de flexibilidade antes do treino “principal”?

    Foi afirmado que alongamento e aquecimento juntos não deixaria grandes problemas, já que os efeitos do aquecimento anulariam a influencia negativa do alongamento ao treinamento. Será então que o alongamento nessa situação não estaria influenciando os resultados e portanto poderia ser descartado?

    vc também disse que os profissionais tem deixado de lado o treinamento de flexibilidade e que isso seria uma atitude não benefica. Onde devemos inserir o treinamento de flexibilidade? depois do treino ou em outra sessão?

    Obrigada,
    Profª Gabriela

    Postado em 25/05/2009
  11. Gizele Monteiro

    Prezada Gabriela.
    Obrigada pelo seu comentário. Para ficar mais didático vou manter suas perguntas com letra MAIÚSCULA.

    BOM, VC AFIRMOU QUE ALONGAMENTO QUANDO NÃO REALIZADO EM INTENSIDADE CONSIDERADA PARA TREINAMENTO DE FLEXIBILIDADE, NÃO TERIA INTERFERENCIA NO RESULTADO ESPERADO DA SESSÃO DO TREINAMENTO.
    Isso é o que alguns estudos já têm demonstrado, complementado por comentários de autores que se o indivíduo é treinado não sofre tal influência. Eu também acrescentaria que se o estímulo é realizado o mais específico possível, isto é, usando-se também o alongamento dinâmico o resultado negativo pode ser diminuído ou anulado. No nosso estudo mesmo sendo uma carga de treinamento o resultado negativo não aconteceu, isto é, não tivemos queda de força e tivemos o aumento agudo da flexibilidade.

    OU SEJA, O RUIM NESSA HISTÓRIA TODA SERIA O TREINAMENTO DE FLEXIBILIDADE ANTES DO TREINO “PRINCIPAL”?
    Não, como citei acima, nós treinamos a flexibilidade e o resultado negativo não aconteceu. Então na sua pergunta teríamos que complementar para quem e como. Lembre-se do ginasta que sempre trabalha os dois estímulos na mesma sessão. Se você já falar de saúde a coisa já pode mudar pois o aluno não terá a experiência desse estímulo no seu corpo e talvez até o dinâmico possa interferir, não se esqueça que estamos falando de uma capacidade neuromuscular e que gera fadiga.

    FOI AFIRMADO QUE ALONGAMENTO E AQUECIMENTO JUNTOS NÃO DEIXARIA GRANDES PROBLEMAS, JÁ QUE OS EFEITOS DO AQUECIMENTO ANULARIAM A INFLUENCIA NEGATIVA DO ALONGAMENTO AO TREINAMENTO (se eles ocorrerem mesmo com carga mínima). SERÁ ENTÃO QUE O ALONGAMENTO NESSA SITUAÇÃO NÃO ESTARIA INFLUENCIANDO OS RESULTADOS E PORTANTO PODERIA SER DESCARTADO?
    Você está raciocinando o que a maioria das pessoas raciocina, então porque não tirar o trote, ou o aquecimento específico? No nosso caso e nos estudos que mostrei não influenciaram … os grupos que alongaram tiveram sprint mais rápido.
    Para os autores do treinamento desportivo, um bom aquecimento tem nas suas etapas todas essas atividades, inclusive o alongamento. Cada um tem seu objetivo. O do alongamento é preparar a fibra muscular e tecido conjuntivo para amplitudes maiores que serão realizadas ou sair da amplitude natural do momento para a que ele vai usar no gesto esportivo.

    ONDE DEVEMOS INSERIR O TREINAMENTO DE FLEXIBILIDADE? DEPOIS DO TREINO OU EM OUTRA SESSÃO?
    Depende de quem nós estivermos falando … se for atleta deverão ser programados os grupamento musculares que treinarão força, potência ou velocidade com os que terão que treinar a flexibilidade. Outra forma é programarmos os volumes e intensidade de carga. Nos micros e meses já devem ser definidos o grau de importância das capacidades e organizar nas sessões quais serão treinadas.
    Se for para a saúde (personal training) se você organizar os grupamentos já conseguirá treinar as duas capacidades (força e flexibilidade). Se antes ou após dependerá da flexibilidade treinada … ativa ou passiva.
    No blog do professor Artur você tem duas literaturas que poderão te ajudar a entender essa organização que estou falando. Se você trabalha com personal pode ter essas informações no livro “Treinamento Personalizado: uma abordagem metodológica”. Caso trabalhe com treinamento desportivo poderá ter as informações no livro dele e do prof Charles “Periodização Esportiva: estruturação do treinamento”.
    Segue o link … http://www.arturmonteiro.com.br/livros/
    Como disse no próprio título … a polêmica vem pelo desconhecimento de todas essas interações, não basta sair dizendo que se o alongamento diminui a força, há muito mais por trás do estímulo de alongamento do que as pessoas desconhecem.

    Obrigada pela participação e espero ter ajudado.
    Profa. Gizele Monteiro.

    Postado em 26/05/2009
  12. João Batista Marques

    Olá Profª Gizele,

    Achei muito importante e esclarecedor a importãncia do alongamento para atletas. trago um relato de uma experiência que ocorreu comigo. Sou professor de Ed. física e trabalho como treinador de goleiros em equipes profissionais de Futsal e futebol mais de quinze anos, e sempre dando enfase na importância do alongamento a meus atletas, como algumas vezes tinha que quase obrigá-los, tive a idéia de alongar apenas um lado do corpo num pré aquecimento. Depois disso mostrando de uma maneira bem prática de como é necessário um bom alongamento, nunca mais tive que me preocupar com a falta dessa prática nos meu treinamentos. um abraço. João Batista Marques Prof. de Ed. Física aluno do pós em T. Desportivo em P. Alegre.

    Postado em 27/05/2009
  13. Gizele Monteiro

    Olá João,

    Obrigada por dividir suas experiências e por comentar o nosso artigo. Usar algumas estratégias que mostre o que desejamos como objetivo em nossas aulas ou treinos são realmente válidas.

    Até breve, Gizele Monteiro.

    Postado em 01/06/2009
  14. leandro hetka de mou

    não quero gerar mais polêmica, mas o que vejo(escuto) no dia a dia de trabalho não é a possibilidade de uma carga elevada de alongamento diminuir os resultados do treino de força e sim quais seriam os beneficios destes para o treinamento citado. vejo muito forte hoje em dia uma discussão entre alongar, alongar/”aquecer ou simplesmente aquecer antes do treino de força.

    Postado em 01/06/2009
  15. Davi

    O alongamento por uma questão cultural é realizado da mesma maneira antes e depois da atividade física. Entretanto alongamentos dinâmicos são os mais recomendados para fazer parte do aquecimento, pois ativam o fuso muscular deixando a musculatura mais rígida pronta para uma contração subseqüente, assim como a professora Gisele deixou bem claro com o estudo do BACURAU et al, 2009.
    Alongar de forma estática antes da atividade, como parte do aquecimento, não prejudica a força, mas também parece não ajudar muito, pois, o músculo é induzido ao relaxamento (apesar de pouco) enquanto que na atividade seguinte objetiva-se o contrário ativar o fuso e inibir o otg. (opinião pessoal, prefiro o aquecimento geral e depois o alongamento dinâmico)
    Já após a atividade a musculatura está exaurida e o alongamento estático (passivo ou ativo) nesse momento é de suma importância, já que agora não se quer mais prepara-lo para uma contração, mas sim para o relaxamento.
    Vejo que há muita polêmica com relação à concorrência dessas capacidades (flexibilidade x força), pois muitos estudos assumem o tal propalado “ALONGAMENTO” sem diferencia-lo com relação à magnitude da carga, onde as diretrizes metodológicas para cada objetivo ( treinamento x aquecimento), são antagônicas, extremidades de um continuum.
    Quando o objetivo NÃO é ganho de flexibilidade, mas sim parte do aquecimento, ou volta a calma, não se preconiza alta intensidade nem alto volume (alongamento estático), pois nesse caso perderia-se um pouco da força (antes) e poderia machucar as fibras (depois)
    Já o treinamento de flexibilidade voltado ao rendimento, ganho de performance, é totalmente oposto ao utilizado no aquecimento ou vota a calma, pois se preconiza vários métodos na mesma sessão, tanto estáticos quanto dinâmicos, ora passivo ora ativo, por tempo e repetições de preferência com alta intensidade e velocidade
    Como a professora Gisele mencionou, ginastas treinam as duas capacidades sem sofrer efeitos deletérios. Mas porquê? Parece que quanto mais flexível e forte o atleta é menor é a chance de manifestação entre a concorrência da força e flexibilidade.
    Acredito que uma musculatura (“saudável”) forte e flexível que é o caso dos ginastas sinta menos a alteração de afastamento dos sarcômeros na qual o grupamento é submetido, permitindo com que a unidade músculo-tendínea volte rapidamente ao normal, ou então que o ponto ótimo de contração máxima desses caras, seja mais amplo quando comparado há um atleta forte e encurtado … MAS É SÓ ESPECULAÇÃO …
    Parabéns professora pelos esclarecimentos e por suas aulas de flexibilidade
    Davi …

    Postado em 08/06/2009
  16. Gizele Monteiro

    Olá Leandro,

    Primeiramente obrigada pela participação. O que coloquei em discussão nesse Post tem sido tema de aproximadamente 10 anos de discussão científica (publicações em revistas científicas). Umas das coisas que acaba se falando que não há benifício algum de se alongar antes de um treino é justamente a questão colocada nesse artigo … que o alongamento até diminuiria a força e então vem as suas colocações … o que é melhor? Alongar, alongar/”aquecer ou simplesmente aquecer antes do treino de força. Na realidade cada uma dessas formas tem sua eficiência e todas elas podem ter um efeito de aquecimento. Os estudos ainda são bastante falhos e escassos em nortear essa questão. Particularmente eu acredito na abordagem colocada pelos autores do treinamento desportivo que colocam que UM BOM AQUECIMENTO tem etapas e cada etapa tem um objetivo e são compostas por estímulos diferentes.

    Até breve, Gizele Monteiro.

    Postado em 18/06/2009
  17. Gizele Monteiro

    Prezado Davi,

    Obrigado por suas observações. Parabéns, vejo que está se preparando bem. Temos realmente falta de profissionais que entendam o treinamento da flexibilidade e essas discussões têm me deixado extremamente feliz.
    Vamos tomar cuidado apenas em não dizer que o alongamento estático não deve ser empregado no aquecimento. Desde que em quantidade adequada ele não oferecerá resultados negativos. Vamos lembrar que muitos de nossos alunos chegam debilitados, sedentários, encurtados e se o aluno não tiver uma condição física mínima o alongamento estático ainda é o melhor por oferecer menos ação sobre o fuso muscular. Gostamos de criar regras e receitas e aplicar a mesma coisa para todos; cada indivíduo é um e a escolha do estímulo e carga deve respeitar essa condição. Um idoso não tem a mesma propriocepção que um jovem.

    Espero que continue conosco. Até breve, Gizele Monteiro

    Postado em 18/06/2009
  18. Roberto Valente

    Realmente não entendo o por que (e não quero pensar em má fé) professores, mestres e doutores, que em suas aulas não se cansam de falar que em nossa profissão não existe “receita de bolo”, tem tanta dificuldade de entender que para flexibilidade isso também se aplica. Certos educadores vem colocando esse modo pouco amplo de ver as situações na cabecinha de alunos de especialização sem ao menos se sentirem culpados!! Será que eles não “sabem” que como nas qualidades como força, velocidade, potência, qualidades que dominam, o saber dosar volume x intenssidade de acordo com seus objetivos é o determinante, e que é assim com a flexibilidade também??
    Ou será que isso é um comportamento com uma forte tendência e ética duvidosa?

    Obrigado Professora Gizele.

    Prof. Roberto Valente
    Especialista em Fisiologia do Exercício e Prescrição

    Postado em 19/06/2009
  19. Gizele Monteiro

    Prezado Roberto, muito pertinente sua observação. Eu ainda acredito que a falta de conhecimento (questão do artigo aqui colocado) é que tem prevalecido nessas teorias criadas, e quando eu falo “conhecimento”, se aplica também a prática.
    Bons estudos e obrigada pela participação… Gizele Monteiro.

    Postado em 23/06/2009
  20. jose amilton

    após ler todos as opiniões fiquei sentindo falta de dois aspectos a genética de cada individuo e o periodo de treinamento que influencia diretamente na carga aplicada seja ela de flexibilidade ou de alongamento. gostaria de adicionar estes dois itens.
    prof Jose Amilton

    Postado em 12/07/2009
  21. Prezado José

    A questão genética não se relaciona com esse tema discutido. Ela influenciará no desenvolvimento e na qualidade da capacidade física apresentada.

    Em relação ao período treinado, particularmente eu desconheço artigos que relacionem carga com o horário. O que temos são referências de que a temperatura (e essa pode ser alterada com o horário de treino) influencia no nível de amplitude numa avaliação, dando-nos que a flexibilidade é maior ou menor, porém não colocam se o treino será mais eficiente ou não. Se vc realizar um bom aquecimento antes de treinar esse efeito já é mascarado e vc volta a apresentar um bom nível de flexibilidade.

    Grata pela participação, Profa Gizele Monteiro

    Postado em 27/07/2009
  22. André

    Ola trabalho com escolinhas esportivas, e vejo que professores realizam sempre o alongamento antes da aul,
    será que realmente há uma ganho de flexibilidade em crianças de 6 a 10 anos que realizam alongamento
    antes de uma aula ? Fica minha dúvida, pois geralmente esses alongamentos são realizados em bixoo voliume e pouca intensidade. Logo, qual o objetivo de alongar crianças antes da pática esportiva ?
    André

    Postado em 04/08/2009
  23. Olá André,

    Por favor releia o texto, pois falo sobre a diferença entre esses estímulos. No momento do aquecimento o objetivo não é treinar a flexibilidade, mas preparar o corpo para atividade. Portanto o objetivo é realizar um aquecimento que contemple suas várias etapas, incluindo a preparação muscular e de proprioceptores que serão acionados. Mesmo crianças devem realizar essa atividade.

    Atenciosamente, Gizele Monteiro

    Postado em 04/08/2009
  24. Gabriel Trajano

    Para acrescentar novos dados e contribuir com a discussão:

    1- Nem sempre foi necessario um volume grande de alongamento estático para a visualisação de déficits de força e endurance Muscular. Isto pode ser visto em dois trabalhos recentes com uma série de 30s e 40s de alongamento.

    *Winchester JB, Nelson AG, Kokkonen J.A single 30-s stretch is sufficient to inhibit maximal voluntary strength. Res Q Exerc Sport. 2009 Jun;80(2):257-61

    *Franco BL, Signorelli GR, Trajano GS, de Oliveira CG. Acute effects of different stretching exercises on muscular endurance. J Strength Cond Res. 2008 Nov;22(6):1832-7.

    2 - Alguns trabalhos mostram sim uma queda na performance muscular em rotinas de aquecimento global com outros tipos de exercício, quando incluido o alongamento estático

    * Holt BW, Lambourne K. The impact of different warm-up protocols on vertical jump performance in male collegiate athletes. J Strength Cond Res. 2008 Jan;22(1):226-9.

    * Winchester JB, Nelson AG, Landin D, Young MA, Schexnayder IC. Static stretching impairs sprint performance in collegiate track and field athletes. J Strength Cond Res. 2008 Jan;22(1):13-9.

    * Viale F, Nana-Ibrahim S, Martin RJ. Effect of active recovery on acute strength deficits induced by passive stretching. J Strength Cond Res. 2007 Nov;21(4):1233-7

    * Vetter RE. Effects of six warm-up protocols on sprint and jump performance. J Strength Cond Res. 2007 Aug;21(3):819-23.

    3 - Concordo com a Profa. Gizele quando se prega o uso do alongamento dinamico como forma de preparação para qualquer atividade. Porem, não vejo nenhuma justificativa baseada em evidencias científicas para incluir alongamentos estáticos em programas de aquecimento e preparação para a atividade específicas. Ja que foi amplamente evidenciado que a utilização deste método nem oferece nenhum benefício quanto a performance ou redução de incidencia de lesões, não sendo assim, essencial a “preparação do músculo” com alongamentos estáticos como dizem os inumeros livros textos sobre treinamento que são baseados em pouca ou nehuma evidencia, a não ser a opinião dos proprios autores. A melhor justificativa para a utilização do alongamento estático é o aumento da amplitude de movimento.

    Espero ter contribuido com a discussão.

    Att,

    Gabriel Trajano

    Postado em 07/09/2009

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