Esta entrevista foi feita por Bruno Camarão da Universidade do Futebol. Vale a pena conferir.
Cidade do Futebol - Quais foram as principais mudanças no departamento de fisiologia do Corinthians com a troca de profissionais (tanto o fisiologista quanto o preparador físico foram substituídos)?
Daniel Portella - Anteriormente, eu não era o fisiologista da equipe profissional do Corinthians - era o Dr. Renato Lotufo. Portanto, não tenho como dizer quais eram os procedimentos. Já o que acontece atualmente, consigo descrever. É um trabalho em conjunto entre fisiologia e preparação física que acontece diariamente.
Cidade do Futebol - Como se dá a integração da fisiologia com outras áreas no Corinthians e como isso afeta o planejamento diário de treinos?
Daniel Portella - O contato e troca de informações entre a fisiologia e as demais áreas do departamento de futebol profissional é diário. Essa fusão de informações e a análise da comissão técnica é o que define o planejamento e conteúdo dos treinamentos diários.
Cidade do Futebol - Existe uma divisão entre fisiologia profissional e da base ou o trabalho é o mesmo?
Daniel Portella - O enfoque é um pouco diferente. Apesar de ser o mesmo fisiologista, tanto na base como no profissional, nosso objetivo nesse último é o desempenho máximo do atleta. Já na base, o objetivo é formar o atleta para que, no futuro, ele possa alcançar o máximo de performance, ou seja, visamos o desenvolvimento do atleta em longo prazo, para que alcance a excelência quando adulto.
Cidade do Futebol - Como se dá a atuação dos fisiologistas no dia-a-dia do Corinthians? Na época em que o time era dirigido pelo Emerson Leão, ele chegou a dizer que o então fisiologista, Renato Lotufo, não precisava ter contato constante com o elenco…
Daniel Portella - Isso é a metodologia que cada técnico adota. No atual Corinthians, sob o comando do técnico Mano Menezes, minha atuação é diária e constante não só nos treinamentos, como em reuniões e até mesmo em jogos.
Cidade do Futebol - Como as recentes reformas estruturais que o Corinthians realizou dentro do Parque São Jorge afetaram o trabalho da fisiologia?
Daniel Portella - Afetaram de forma positiva. A estrutura que temos hoje no Parque São Jorge é muito boa mesmo. Em relação a materiais, temos tudo de que precisamos, desde equipamentos sofisticados para avaliações, até mesmo o espaço físico da fisiologia.
Cidade do Futebol - No início da temporada, em uma avaliação inicial, detectou-se que os principais atletas revelados nas categorias de base do clube - Dentinho e Lulinha - não estavam fisicamente prontos e receberiam uma atenção especial. Um semestre depois, qual é a análise do comportamento desses dois?
Daniel Portella - Veja bem, no início da temporada (pré-temporada), não era eu que estava no comando da fisiologia do profissional do Corinthians. Eu era o fisiologista das categorias de base, portanto não sei qual era a condição desses atletas naquele momento, mesmo porque eles já estavam na equipe de cima há um ano e não tinha mais contato com seus indicadores de performance. Porém, sabemos que hoje eles estão muito bem em relação ao grupo e, em alguns aspectos, são referência lá dentro.
Cidade do Futebol - À época do Renato Lotufo, o protocolo de medição da proteína CK era usado na avaliação dos jogadores do Corinthians. Esse procedimento segue sendo realizado e de que forma?
Daniel Portella - Sim. A enzima CPK ou CK, e não proteína CK, é um indicador de stress ou fadiga muscular. Podemos, de acordo com seus resultados, observar níveis excessivos de stress e potencializar o rendimento do atleta através do planejamento. Vale a observação de que as interpretações da CPK devem ter muita cautela.
Cidade do Futebol - Como é realizado o monitoramento e o controle das cargas de treino no Corinthians?
Daniel Portella - Nós procuramos controlar o volume e a intensidade dos treinamentos para mensurar as cargas de treinamento. Para tanto, fazemos uso de análises bioquímicas, questionários subjetivos e testes de performance em alguns momentos.
Cidade do Futebol - Entre os dias 19 e 21 de setembro, o clube alvinegro será palco do Congresso Brasileiro de Ciências e Futebol. Por gentileza, você poderia explicar um pouco do que se trata e qual a intenção da empreitada?
Daniel Portella - Trata-se de um evento pioneiro. Já houve tentativas anteriores de realizar um congresso dessa magnitude, contudo todas as tentativas tiveram o enfoque totalmente acadêmico. Sabemos que ainda há uma certa distância entre a prática e a literatura, principalmente no futebol.
Portanto, para esse evento, convidamos profissionais tanto da área prática, quanto da área acadêmica, para que essa lacuna possa ser preenchida e possamos gerar debates elucidando muitas dúvidas. Já que o objetivo é integrar parte prática e teórica, nada melhor que realizarmos o congresso no maior clube de São Paulo, o Corinthians.
Cidade do Futebol - Ao lado do Dr. Miguel de Arruda, você será palestrante sobre o tema “Comportamento das capacidades físicas durante o período de maturação nas categorias de base”. Poderia antecipar algo sobre a didática, a linha de apresentação e as idéias sobre esse assunto?
Daniel Portella - Nessa temática, abordaremos assuntos referentes à maturação propriamente dita, e, logo após, faremos uma relação dessa maturação com as capacidades físicas dos atletas. Qual a dinâmica delas com o fato de os atletas estarem em pleno desenvolvimento…
Cidade do Futebol - Na seqüência, em Jundiaí, ocorrerá o 1º Simpósio Paulista sobre Fisiologia e Preparação Física no Futebol. A proposta é semelhante à que ocorrerá uma semana antes?
Daniel Portella - A meu ver, não. Em Jundiaí, o enfoque será um pouco mais restrito e mais definido, já no I Congresso Brasileiro de Ciência e Futebol, é algo mais abrangente dentro das áreas do futebol. Ambos serão excelentes.
Cidade do Futebol - Em duas palestras, você comentará sobre as novas teorias e descobertas na preparação física específica no futebol e o papel do profissional dessa área e da fisiologia na formação e no ganho de resultados. Poderia falar um pouco sobre essas temáticas?
Daniel Portella - Na primeira, vamos falar um pouco de mitos que estão sendo derrubados e quais são as metodologias atuais que demonstram a queda deles.
Na segunda, abordaremos a interação do fisiologista com o restante do departamento, para que a otimização dos resultados se concretize e como é feito na prática para que isso ocorra.








